Onde está a raiz deste problema da distribuição de renda no Brasil?

É todo um processo histórico de formação do Brasil. A gente viu o Brasil passando de Colônia para República, mas não foi feita uma reforma agrária, os escravos que eram escravos, continuaram escravizados de uma outra maneira, porque não tiveram acesso à terra, ao trabalho livre.

Então, historicamente, como sociedade colonial que fomos durante 300 anos, enraizamos a cultura de senhor e de escravo que permanece, de certa forma, como base das estruturas da produção e distribuição da renda no Brasil.

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De outro lado, o processo de modernização da economia, que desde os anos 30 vem adotando um padrão de desenvolvimento muito atrelado ao funcionamento do que se chama de capital, do capitalismo mundial, desempenhando um papel subalterno, de país periférico, quando temos um potencial para ser um país que pode oferecer, em primeiro lugar, à sua população e ao mundo uma forma de desenvolvimento que seja centrado na cooperação, na solidariedade, na justiça social.

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No sentido das relações internacionais existe alguma mudança?

A gente vive hoje um mundo bastante dominado pelo poder da maior potência econômica e militar, que são os Estados Unidos. De outro lado, a gente está vendo a China comunista, um estado muito forte, lutando para se inserir no mercado mundial. Inclusive entrou para a Organização Mundial do Comércio, há dois anos.

Então, de um lado, a gente vê uma potência econômica militar. De outro, uma potência lutando para se inserir dentro deste mercado global. Além disso, existem muitos movimentos sociais, organizações e alguns governos tentando configurar uma aliança dos povos de outra maneira. A gente vê esforços nesse campo.

Do ponto de vista da sociedade, temos a construção dos fóruns sociais mundiais, das campanhas globais, como é a campanha contra a OMC, contra a militarização, hoje no mundo inteiro; temos as redes de economia solidária (mais de 20 que estão articuladas nas várias partes do mundo também construindo plataformas comuns). Existe a campanha Jubileu Sul, que reúne países da África, da Ásia, da América Latina pelo cancelamento da dívida externa. Há a campanha continental contra a ALCA. Todas estas iniciativas se articulam de várias formas para construir um outro mundo.

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